sexta-feira, 9 de abril de 2010

Gripe suína: grávidas e crianças entre 6 meses e 2 anos podem ser vacinadas até 23 de abril
O Ministério da Saúde prorrogou o prazo de vacinação gratuita para esses dois grupos. Veja o que fazer caso você ou seu filho não façam parte deles e entenda quais foram as alterações feitas no calendário oficial da campanha



Simone Tinti, Thais Lazzeri e Drielle Sá



O Ministério da Saúde prolongou a campanha de vacinação contra o vírus da gripe suína (H1N1) para gestantes, crianças entre 6 meses e 2 anos e também doentes crônicos (pessoas com diabetes, asma, obesidade entre outras enfermidades). Os postos de saúde passarão a oferecer as doses até o dia 23 de abril, coincidindo com o período de vacinação dos jovens entre 20 e 29 anos de idade, que começa na segunda-feira, dia 5.

Para garantir a segurança da vacina o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desenvolveram um protocolo de acompanhamento que deve ser seguido pelos profissionais de saúde. O seu intuito é registrar possíveis efeitos colaterais causados pela vacinação.


Todas as grávidas devem se vacinar, independentemente do estágio de sua gestação. É só comparecer a um posto de saúde e apresentar um documento de identidade com foto. Não é necessário levar atestado que comprove a gravidez.

Se você vai levar o seu filho ou filha para ser imunizada, não esqueça de ter o cartão de vacinação da criança em mãos quando for ao posto de saúde. No caso delas, a vacina será dada em duas doses, sendo que a segunda é aplicada 30 dias após a primeira. Com a prorrogação da campanha, as crianças que completarem seis meses de idade até o dia 23 de abril poderão ser vacinadas gratuitamente.

O Ministério adverte que é muito importante que grávidas e crianças sejam imunizadas, já que são um dos grupos que mais correm risco de desenvolver formas graves da doença e até mesmo morrer, segundo o que se observou na epidemia do ano passado.



Nas clínicas particulares
A vacina contra a gripe suína ainda não tem previsão para chegar à rede privada. Por isso, se seu filho tem até 2 anos, dê a vacina no posto de saúde. Se ele tem entre 3 a 19 anos, você vai precisar esperar, sim. Uma das maneiras de proteger seu filho indiretamente é você tomar a vacina – se tiver entre 20 a 39 anos, possuir doença crônica (uma das listadas pelo Ministério da Saúde) ou estiver no grupo dos idosos. Isso se chama efeito rebanho: a criança não estar vacinada mas, como as pessoas que vivem com ela estão, ela acaba sendo protegida também.
Esse atraso, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi causado porque os laboratórios ainda não enviaram à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos um documento solicitando a taxação do produto (ou seja, quanto ele vai custar). O único que recebeu liberação para vender para a rede privada foi a Sanofi Pasteur. CRESCER entrou em contato com o laboratório. Eles responderam que “toda a prioridade da Sanofi Pasteur foi atender à demanda do setor público (no caso, o Instituto Butantã) pela vacina H1N1. No momento, a empresa também está trabalhando para trazer a vacina trivalente, com o H1N1, para atender a demanda do mercado privado, que deve chegar ao Brasil no final de abril”. A empresa disse também que está preparando um dossiê com a atualização das três novas cepas incorporadas à vacina (os novos sorotipos que protegem contra o H1N1) para entregar à Anvisa – seria uma exigência e é um procedimento comum. A Anvisa não confirmou a informação.



Calendário da campanha de vacinação

Gestantes e crianças de 6 meses a 2 anos começaram a ser vacinadas em 22 de março. Ao todo, o ministério adquiriu 113 milhões de doses para vacinar 91 milhões de pessoas contra o H1N1. As crianças vão tomar duas meia-doses, com intervalo de 30 dias entre elas (na primeira, o organismo começa a fabricar anticorpos e, na segunda, age como reforço), e as gestantes, uma dose, apenas, em qualquer período da gravidez.

A Sociedade Brasileira de Pediatria, que segue a Academia Americana, recomenda que crianças até 5 anos sejam vacinadas. Os médicos afirmam que as maiores de 6 também deveriam receber a proteção, bem como os adultos e cuidadores. Quem puder pagar pela dose, que estará disponível na rede privada por cerca de R$ 60 cada (é uma estimativa, o valor final não foi definido), deve, sim, vacinar o filho. A única restrição à vacina é para quem tem alergia muito grave a ovo.

A vacinação será dividida em quatro etapas e acontecerá ao mesmo tempo em todo o país (26 Estados e o Distrito Federal). Você pode conferir cada grupo abaixo. O objetivo do Ministério é terminar a vacinação ainda antes do início do inverno no país, quando é registrado o maior número de casos de gripe.



Etapas de vacinação

Primeira etapa, de 8 a 19 de março
Índios e profissionais da área da saúde, como médicos, enfermeiros, recepcionistas e pessoal de limpeza e segurança dos hospitais, motoristas de ambulância, equipes de laboratório e profissionais que atuam na investigação epidemiológica.

Segunda etapa, de 22 de março e 23 de abril (prorrogada)
- Grávidas: em qualquer período de gestação serão imunizadas nesta etapa, mas também poderão tomar a vacina em qualquer outro período;

- Crianças de seis meses a dois anos. Elas devem receber meia dose da vacina e, 21 dias depois, a outra meia dose.


confira também
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Outras pessoas que serão atendidas nesta fase são os doentes crônicos (exceto idosos, que serão chamados em outra etapa) como os portadores de problemas do coração, pulmão, fígado, rins e sangue, diabéticos, asmáticos, e obesos grau 3 (os antigos obesos mórbidos), entre outros. Confira a tabela completa abaixo.

• Obesidade grau 3 - antiga obesidade mórbida (crianças; adolescentes e adultos);
• Doenças respiratórias crônicas desde a infância (exemplos: fibrose cística, displasia broncopulmonar);
• Asmáticos (formas graves);
• Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras doenças crônicas com insuficiência respiratória;
• Doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (exemplo: distrofia neuromuscular);
• Imunodeprimidos (exemplos: pacientes em tratamento para aids e câncer ou portadores de doenças que debilitam o sistema imunológico);

• Diabetes mellitus;
• Doença hepática (exemplos: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral);

• Doença renal (exemplo: insuficiência renal crônica, principalmente em pacientes com diálise);
• Doença hematológica (hemoglobinopatias);
• Pacientes menores de 18 anos com terapêutica contínua com salicilatos (exemplos: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki);

• Portadores da Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca;
• Portadores de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica (exemplos: hipertensão arterial pulmonar, valvulopatias, cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular).

Terceira etapa, de 5 a 23 de abril
Adultos de 20 a 29 anos

Quarta etapa, de 24 de abril a 7 de maio
Vai coincidir com a campanha anual de vacinação contra a gripe comum e será apenas para idosos.

Quinta etapa, de 10 a 21 de maio
Adultos de 30 a 39 anos

O Ministério da Saúde criou um sistema para avisar os cidadãos por e-mail sobre a data da vacinação contra gripe suína. Se você quiser receber o aviso, cadastre-se no site da instituição (www.saude.gov.br) a partir do dia 8 de março, quando começa a campanha de imunização. O Ministério da Saúde criou um sistema para avisar os cidadãos por e-mail sobre a data da vacinação contra gripe suína.